Ela ia, todos os dias, ao fim da tarde para aquela praia. Não sabia bem se estava à espera de qualquer coisa. Ou de alguém. Havia um rapaz, que, nos últimos dias, lhe chamava a atenção. Pareceu-lhe que ele seria filho de algum pescador. Ele passava, sempre em t-shirts sem mangas, com os músculos dos braços bem à mostra e o cabelo loiro aos caracóis dançando ao vento. Ela pensou que ele deveria ser mais novo que ela, alguns anos, mas a verdade é que quando ele passava ela se sentia menos sozinha e, ao mesmo tempo, sentia o seu corpo responder ao chamamento que aquele corpo jovem parecia fazer-lhe.
Há vários dias que tentava pensar numa maneira de ir falar com ele. Não lhe ocorria nenhuma. Talvez porque, no fundo de si, tinha uma grande timidez e um grande medo de que ele entendesse mais ou menos quais eram os seus objectivos.
Naquela tarde, ele passou, de novo. Ela ficou a vê-lo, reparando na força dos braços, nas pernas com pêlos amarelados, à mostra dos joelhos para baixo por causa dos calções. E uma vez mais ela quis, no fundo de si, ir ter com ele, dizer-lhe alguma coisa. Mas o quê?
Ela sentia-se muito sozinha, muito. Os homens passavam na sua vida com a velocidade e a violência de turbilhões e não havia maneira de contornar esse destino, ao que parecia.
Seria problema dela, o facto de ter sentimentos? Talvez fosse melhor não os ter, para não sofrer depois as perdas. Mas, como conseguiria isso?
Ali estava ela, uma vez mais de férias e uma vez mais sozinha, e aquele rapaz que passava com a graciosidade de uma idade jovem mas a pungência de um corpo másculo, despertava nela sentimentos insuspeitados que a feriam ao mesmo tempo que a entusiasmavam, como se fossem a luz de um barco que durante a noite se aproximasse do porto.
Viajara de tão longe para ver aquele mar, o mar da sua meninine. Reconhecer-lhe-ia as marés à distância. Era um mar e não havia outro mar para ela. Era só aquele. Recôndito e quase ignorado de destinos turísticos mais habituais. A praia, depois das seis da tarde, estava sempre deserta, e apenas se viam barcos a chegar, barcos pequenos, de pesca, com nomes de mulheres. Barcos que estavam ali desde que ela era menina e chupava rebuçados e não sentia o corpo pedir outro corpo daquela maneira desesperante e intensa, sempre intensa.
O rapaz passava sempre entre os barcos, fumava um cigarro e depois voltava para trás.
Nunca se demorava mais do que um quarto de hora. Ela pensou que o mais provável seria ele ir ali para que os pais não descobrissem que ele fumava. Sentiu-se ainda mais ridícula por desejar um homem nestas circunstâncias.
Mas ela não era ridícula. Tinha um coração de ouro, de que os outros se aproveitavam. Chamava-se Tâmara. Era um grande azar que tivesse o nome de um fruto, quando ela tantas vezes sentia que o seu coração era tragado pelos homens e depois cuspido quando chegavam ao caroço. Era assim, a sua vida, tinha sido sempre assim, em 27 anos nunca conhecera outra realidade, mesmo enquanto as melhores amigas planeavam casamentos e começavam a aparecer grávidas, sempre muito felizes por verem as suas vidas concretizadas, e alheias à dor de Tâmara, à sua solidão tão desmesurada e à sua tristeza que nunca se esvaía com tanto choro, tantas lágrimas em vão.
Foi na tarde seguinte que tudo mudou. Ela não conseguia pensar numa solução para ir falar com aquele rapaz, inconscientemente, impedia-se de a encontrar. Mas o destino é o destino. Ele veio falar com ela. Estava ela, como sempre, de pé entre as rochas, no seu vestido de tecido leve cor-de-rosa, que balançava ao vento e sob o calor a mantinha fresca. Ele voltou de fumar o seu cigarro, mas saiu do seu caminho para ir ao encontro dela. Ela percebeu isso quando ele estava a já poucos metros dela e não se mexeu
_Está aqui todas as tardes. Que procura que ainda não tenha visto? -perguntou ele.
_Nada. Olho apenas. Não acha que é bonito olhar para o mar? -respondeu.
_Olho-o desde que nasci. Não tem nada que ver. É sempre igual. -afirmou o rapaz.
_Não gosto de acreditar que assim seja. Sempre alguma coisa pode acontecer. -insistiu ela.
_Como se chama?
_Tâmara.
_Eu chamo-me Nero. Há muito tempo que estava para vir falar consigo. Nos 23 anos que passei aqui, percebi que as pessoas só olham para o mar porque não conseguem ver deus. -explicou ele.
Ela ficou surpreendida com a simplicidade e a verdade daquela frase. Não soube que responder-lhe. Era verdade que ali vinha pensar.
_Quer ir dar um passeio? -perguntou ele. Apontou para as formações rochosas que começavam ao lado direito. Ela aceitou e foram andando, ainda que sem conversar muito. Ela não sabia o que dizer. Sabia já a idade dele, não tinham quase diferença nenhuma, mas ela não conseguia evitar aquele sentimento de que era ridícula.
A noite começava a cair, em tonalidades claras, pastel, no verão. Foi quando ele pediu para pararem e se sentou numa rocha , a fumar. Ela ficou de lado para ele, olhando também para a frente.
_Não vale a pena estar a disfarçar. Amo-a. Há dias que a vejo a olhar o mar e vou fumar à praia para a ver. Não consigo pensar senão em si. Acho que estou ligado a si por qualquer coisa, talvez pela força do destino. -disse ele, de repente, tudo de uma vez, como se tivesse levando muito tempo a pensar, mas finalmente se decidisse. Ela quase não se mexeu
_Não sabe o que está a dizer. Isso são algumas ideias parvas que tem por achar que eu tenho problemas na vida, só porque olho para o mar todos os dias sem um cigarro na mão.
_Vai-me dizer que não os tem?
_Tenho. Mas não vejo como isso faz com que tenha razão no que diz.
_Amo-a. De que razão precisa o amor. Amo-a. -ao dizer isto, ele estendeu o braço e deu-lhe a mão. Tâmara não foi capaz de largar. Virou-se de frente para ele, como se fosse chorar mas não. Esperava apenas o beijo que ele lhe deu. Um beijo longo e terno, que depois começou a tornar-se pujante. Ele hesitou, mas logo a sentou sobre o seu colo, beijando-lhe o peito sobre o vestido, enquanto desapertava o fecho dos calções. Levantou-lhe o vestido e depois subiu-lhe também o top do bikini, de maneira a poder arrastar a língua pelos mamilos dela, mordendo-os também, com jeitinho. Por fim, ele tinha também o seu pau de fora, e ela não demorou até estar a acariciá-lo com as mãos.
A medo, mas decidido, ele levantou-se, ficando o pau estendido na frente dela. Ela chupou-o devagar, depois, puxou-o para o chão e deitou-o. Sentou-se no pau dele, e fizeram amor até que escurecesse. Depois disso, com a roupa desapertada e às três pancadas, ficaram de mãos dadas a olhar o escuro da noite
_À meia-noite despedimo-nos. Não posso prolongar isto que aconteceu. -sentenciou ela, de repente.
_Por que me faz isto?
_Tem que ser. Eu nem sequer sou de cá. E sou mais velha. Já me chega de corações partidos. Mais vale guardar memória de um encontro que foi bom. -ele tentou convencê-la a não proceder dessa maneira, mas ela estava intransigente.
No entanto, ela não conseguia fugir ao desejo que sentia. Puxou-o para cima dela e, desta vez, em vez de fazerem amor, ele fodeu-a com força. Ela sentia aquele pau grosso e encarquilhado entrar nela e gemia. Ele estava impiedoso. Retirava completamente o pau da cona dela e depois enfiava de uma vez até ao fundo. Ela dava pequenos gritos, pela primeira vez completamente entregue ao prazer, sem se preocupar com desilusões ou tristeza. Apertava os braços musculados dele enquanto o sentia brutalizá-la e gostava.
Por fim, ele tirou de vez o piço de dentro da boceta dela e agilmente colocou o seu colo sobre o pescoço dela. Puxou-lhe a boca para o pau e esporrou-se dentro dela.
Ela engoliu a langonha com gosto e depois, ele ficou deitado sobre ela. E o tempo passava.
Quando ela consultou o telemóvel, viu que ainda faltava meia hora para a meia-noite. Avisou-o. Ele voltou a pedir-lhe que reconsiderasse, mas ela não cedeu.
Furioso, ele abriu-lhe as pernas e desatou a lamber-lhe a cona. A sua língua era ágil e ela veio-se duas vezes antes que ele parasse. Na última dessas vezes, esguichou-lhe em cheio na cara. Ele abriu a boca, como se quisesse guardar aquele sabor para sempre. Com a excitação, ficara de pau feito de novo e acabou batendo uma e a vir-se em cheio sobre os pêlos que Tâmara tinha na boceta. Ainda zangado por ela nunca mais o ir ver, ele esfregou com a mão a sua esporra na boceta dela, como se para obrigar a pele a absorver, e assim ele ficar dentro dela por mais tempo.
À meia-noite, ela levantou-se e começou a fazer o caminho de volta.
Nero ficou durante algum tempo sentado nas rochas, com o pau ainda de fora, a pensar na mulher que havia tido e perdido num dia só. A mulher que ele amava.
Vilamoura, 6 de Agosto de 2010
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