Depois daquela foda magnífica que tínhamos dado com o Tiago, o Ricardo foi passar o fim-de-semana fora. Não falei com ele. Fiquei sozinho em casa durante quatro dias, que aproveitei para ouvir os meus álbuns da Elis Regina bem alto. Não pensei muito no assunto, mas a única coisa que queria era que o facto de termos fodido não fizesse o Ricardo ficar má onda lá por casa.
Quando ele voltou, na segunda ao fim da tarde, cumprimentou-me como sempre e parecia igual ao que sempre era. Eu fui para o meu quarto e fiquei por lá a ouvir a Elis, desta vez mais baixo, para não o incomodar.
Ele veio bater-me à porta. Disse-lhe que entrasse. Eu estava deitado em cima da cama, com os braços atrás da cabeça a cantarolar as "Águas de Março" e ele pediu-me o isqueiro. Dei-lho e depois fiquei à espera. Ele perguntou se se podia sentar e eu apontei-lhe a cadeira da secretária. Ele sentou-se enquanto acendia o cigarro e depois, olhou para mim
_Então o teu fim-de-semana foi bom? -respondi-lhe que sim mas fui vago em pormenores. A meio do que ei estava a dizer, ele levantou-se e veio sentar-se na cama, ao meu lado. Pousou a mão livre em cima da minha barriga e começou a fazer-me festinhas
_Não cheguei a dizer-te que gostei muito da nossa noite. -disse-me. Eu tentei não ficar demasiado entusiasmado. Ele baixou a cabeça, até a ter deitada em cima de mim, e olhava-me sempre nos olhos. Eu fiquei todo derretido, mas tentei sempre parecer indiferente. Ele continuava a fazer-me festinhas. A verdade é que eu estava a sentir o meu pau a endurecer mas, ao mesmo tempo, também não sentia aquela vontade inadiável de lhe arrancar a roupa. Senti-me um bocado mal por perceber que gostava dele, de uma maneira que excedia a amizade. Podia ser que me magoasse muito com aquilo. Não era boa ideia. No entanto ele olhava-me nos olhos, sorria um sorriso realmente doce. Pousei a minha mão na cabeça dele e acariciei-lhe o cabelo, sorrindo também.
Ele levantou-se depois, para apagar o cigarro e, quando voltou à cama, foi para se deitar em cima de mim. Beijou-me com uma volúpia impressionante. E eu não fui capaz de o afastar, apesar de me sentir muito emocionado por aquilo estar a acontecer. Pensei que ele fosse começar logo a tirar-me a roupa: que provavelmente tinha tido muito prazer naquela noite da semana anterior e que estava a querer repetir. Para minha surpresa, ele não fez nada disso. Apenas nos beijámos, durante imenso tempo.
Só nos levantámos depois
_Vou fazer jantar para nós. -anunciou ele. Eu sorri. Ele cozinhava muito bem. Segui-o até à cozinha. Enquanto ele cozinhava, eu acendi um cigarro e fiquei à janela a olhar para os prédios. Quando estava confuso, ajudava-me muito estar à janela e apanhar ar. Por alguma razão, ainda que eu não me sentisse bem por estar a sentir aquilo pelo Ricardo, também não estava desesperado e a querer fugir dele.
Jantámos. Enquanto comíamos, ele disse-me
_Tenho que perceber o que me está a acontecer. Gostei muito daquela noite que tivémos. Mas ainda não sei o que isso significa. Gosto muito de ti. -disse-me. Eu fiquei um pouco corado. Mas aquelas não eram as piores notícias que me poderiam dar naquela situação. Sorri.
Depois do jantar, sim, fomos para o quarto. Eu deitei-me na cama e ele deitou-se em cima de mim. Despimo-nos logo. Eu puxei-o para cima, e comecei a chupá-lo. Ele entusiasmou-se e começou a foder-me a boca, empurrando o cacete dele até ao talo bem para dentro da minha boca. Aquele sabor salgado excitava-me imenso e eu não queria parar. Ele arranjou maneira de se virar ao contrário, e deitou-se em cima de mim, de maneira a fazermos um 69. O Ricardo conseguia chupar o meu pau até ao fundo também e acabámos por nos vir assim, na boca um do outro. Ele rebolou para o meu lado, e ficou deitado ao meu lado, abraçando-me as pernas. Não sei quanto tempo ficámos assim.
Quando por fim eu me levantei para fumar um cigarro, ele sugeriu que fôssemos até ao café. No dia a seguir, eu tinha logo ás nove uma aula de Macro-Economia, mas acabei por aceitar.
Fomos a um café na Quinta das Conchas, que era o mais próximo da nossa casa. Sentámo-nos na esplanada e ficámos a conversar sobre aulas e sobre episódios do nosso passado, do tempo em que ainda não nos conhecíamos.
Mas eu olhava para ele, para aqueles cabelos ruivos que o faziam parecer um príncipe, e aquela cara magistralmente bonita, e as mãos dele, grandes, masculinas e fortes; e só me apetecia pegar-lhe nas mãos e beijá-lo.
Quem me cortou os pensamentos foi não o Ricardo, mas a voz de uma outra pessoa
_Então, por aqui? -olhei para o lado. Era o Simão, um colega de turma. Cumprimentei-o à pressa, mas percebi logo que ele queria sentar-se e não tive outro remédio senão convidá-lo. Ele sentou-se, muito sorridente e a falar muito simpático.
No início do ano, eu falava muito com o Simão, porque percebi que ele era gay e, como era muito bonito, com aquele cabelo preto e a pele clara, com barba rala e os olhos verdes, achei que talvez fosse interessante envolver-me com ele. Depois, não sei porquê, perdi o interesse.
Ele, mesmo assim, falava muito e como se fôssemos muito próximos. Das colunas do rádio, colocadas sobre a porta do café, ouvia-se "Turn Off The Light" da Nelly Furtado, o que me fez lembrar um pouco os tempos em que eu era mais novo e dançava estas coisas com os meus amigos. Fiquei um pouco nostálgico, e só fui chamado àquele lugar quando comecei a perceber que o Simão estava mesmo interessado em fazer aquela noite terminar de outra maneira, uma vez que não deve ter achado que se passasse alguma coisa entre mim e o Ricardo.
Quando a empregada do café nos veio dizer que ia fechar, fomos até casa. O Simão também veio.
Eu e o Ricardo tirámos do frigorífico uma garrafa de vodka que já lá estava há algumas semanas e bebemo-la com o Simão. Quando, já terminada a garrada, o Ricardo se levantou para ir atender o telefonema de uma amiga, o Simão disse-me directamente que se sentia muito atraído por mim e que gostava muito de foder comigo.
Fiquei um bocado hesitante. Empatei-o, à espera que o Ricardo aparecesse, mas ele demorou imenso. O Simão começou a beijar-me levemente o pescoço e eu nunca resisto muito tempo.
Quando o Ricardo apareceu na sala, eu e o Simão já estávamos a comer-nos de tronco nu, no sofá. O Simão viu-o e perguntou-lhe, também sem rodeios se se queria juntar a nós, mas o Ricardo disse que não. No entanto, em vez de ir embora, começou a despir-se e, quando já estava nu, sentou-me na poltrona, de frente para nós, e começou a bater uma, a olhar-nos fixamente.
O Simão abriu a braguilha das minhas calças e puxou o meu pau para fora. Começou a chupar, bem devagar e levando a boca até ao talo, a gemer. Depois, levantou-se e tirou as calças, estendendo para fora o seu cacete, bastante grandinho, que eu comecei logo a chupar, olhando directamente para o Ricardo, que continuava a bater uma punheta, devagar, para render mais. A piça do Simão era bem boa de chupar, e ele empurrava-a a um ritmo lento para mim, para a meter até ao fim sem falhar uma.
Quando eu menos esperava, ele disse-me
_Quero que me fodas, agora.
_Vou ao meu quarto buscar o material. Entretanto, chupas um pouco o meu amigo. -disse-lhe, como quem ordena. Ele aproximou-se do Ricardo e, ainda antes que eu tivesse tempo de sair da sala, já ele chupava o caralho do meu amigo.
Voltei com lubrificante e camisinhas e puxei o Simão para parar de chupar o Ricardo. Ele ficou de quatro, mesmo em frente do meu amigo e eu comecei a enfiar-lhe os dedos, sorrindo malvadamente para o Ricardo, que parecia cada vez mais excitado. Depois, enfiei a cabeça no cu do Simão, que começou logo a arfar. O cu dele era apertado, e isso excitava-me sempre. Em duas socadas, enfiei o resto do meu cacete pelo cu do Simão acima, e ele gemia e berrava, a olhar para trás com uns olhos de puta excitada, a pedir mais. Montei-o com quanta força pude, enterrando sempre o meu pau bem fundo do cu dele.
Vim-me, depois de me segurar várias vezes. O Ricardo, à minha frente, ainda não se tinha vindo. Disse-lhe que gostava que ele se enrolasse connosco. Ele aceitou.
Fomos para o quarto dele, deitámo-nos na cama. Eu e o Simão começámos a fazer 69, enquanto o Ricardo me enrabava. Ele enrabou-me com força, como sabia que eu gostava e, viémo-nos quase ao mesmo tempo, ele no meu cu e eu na boca do Simão. O Simão foi o último a vir-se, e veio-se em grande, para a minha cara e a do Ricardo.
E o Ricardo, depois, deu-me a mão.
Madrid, 10 de Setembro de 2010
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